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FORA DE JOGO. Em casa sem basquetebol, hoje com Fidel Mendonça

  • Fidel Mendonça, basquetebolista
  • Fidel Mendonça, basquetebolista
02 Mai 2020 Desporto

Continuamos FORA DE JOGO, mas voltamos à quadra de basquetebol. Ou melhor, por agora não se desce à quadra, o que não nos impede de entrevistar. Conversamos com Fidel Mendonça.

Com este time out prolongado, tivemos tempo de sobra para abordar um dos jogadores ícone do basquetebol cabo-verdiano. Com calma, sem a fadiga dos momentos fugazes do pós-jogo, em que eles normalmente estão ofegantes e sempre a limpar o suor da testa.

Para começar este artigo, não precisamos de muitas palavras para apresentar um jogador cujos numeros expressam melhor que palavras seu desempenho. O extremo e base, de 35 anos, é um pontuador por excelencia. De tal como que - o leitor deve estar recordado – em 2015, ao participar pela primeira vez na Taça dos Clubes Campeões de Áfica, ao serviço do Bairro, foi o melhor pontuador, o melhor lançador de 3 pontos e… integrou o 5 ideal da competição. 

Cedo começou a dar nas vistas, ainda nos escaloes de formaçao de Lém Ferreira. Com a escola do seu bairro, foi campeão nacional em juvenis e também em juniores.

Quando graduou-se para os séniores continuou a sua sanha de campeão, juntando os títulos colectivos aos também individuais, muitos. Além dos campeonatos regionais de Santiago Sul, já foi, por 5 vezes, campeão nacional sénior, em representação de três cubes: 2 pelo ABC, 2 pelo Bairro e 1 pelo Prédio.

Quanto aos títulos individuais, além dos que já avançamos conseguidos no Campeonato Africano de Clubes, foi MVP nacional por 3 vezes, melhor marcador de todos as competições em que o Bairro participou por anos seguidos.
Já ao serviço do Prédio, na época passada, alcançou o record de 54 pontos num jogo. Batera seu proprio record que tinha sido de 51 pontos, quando representava o Bairro.

Por 5 épocas foi melhor marcador do campeonato regional de Santiago Sul e melhor jogador regional na época 2017/2018. Já foi melhor marcador do nacional por 5 vezes e também melhor jogador da mesma competição por três vezes.
Enfim, são alguns dos números deste internacional cabo-verdiano, que também já jogou fora do país, em Portugal, pelas equipas de Olivais de Coimbra, Queluz e Algés.

Na presente temporada, a segunda ao serviço do Prédio, começou de mãos quentes, para não variar. E ia liderando a lista dos melhores pontuadores do campeonato numa equipa que só contava com vitória no campeonato até a suspensão ditada pela covid-19.

Os numeros já falaram de Fidel! Agora é ele mesmo que tem a palavra para abordar estes tempos de confinamento.

Antes de mais, quisemos saber do jogador, como ele encarou a suspensão do campeonato numa altura em que estava com a “maquina muito bem oleada”.
“Quando foi decretada a suspensão de todas as atividades desportivas no país encarei a decisão com toda a naturalidade e apoiei-a a 100% desde a primeira hora. Já acompanhava o desenvolvimento da pandemia noutros países e já previa que mais cedo ou mais tarde a época em Cabo Verde também seria suspensa”.

Fidel é um “viciado” pela modalidade da bola ao cesto. De tal forma que passa a vida no Pavilhão Vavá Duarte a treinar-se. Pode dizer-se que lá é a seua segunda casa. Para um jogador assim, é facil adivinhar que um confinamento tão longo não seja nada facil.

“Tenho passado este período de quarentena sempre em casa com a familia. Confesso que estão a ser dias difíceis. Estar sem treinar no campo e sem competir, não tem sido fácil. Não sou profissional do basquetebol, mas eu vivo o basket como se fosse um profissional. Tento manter sempre ligado à modalidade, vendo jogos, treinando em casa, para não ficar completamente fora de forma.  Nós os jogadores da Seleçao Nacional criámos um grupo nas redes sociais, para fazermos alguns treinos físicos em conjunto em casa, mas também para mantermos o grupo em contacto e fortalecermos os laços de amizade.”

Mas os dias são preenchidos também com formação...

“No âmbito do meu curso de Treinador de Basquetebol nível II, estou a participar num curso online proporcionado pela FCBB e, sempre que possível, vou trocando ideias de treino com o meu tutor, o selecionador Emanuel Trovoada.  São dias complicados, mas temos de nos adaptar à situação, tirar o melhor partido de estar em casa a fazer o que não conseguimos fazer na correria do dia-a-dia. Tento não me desligar do basket e claro, não descuidar do meu corpo como forma de manter-me saudável, o que também ajuda no combate ao stress de estar fechado. Por isso aproveito para deixar uma mensagem a todos: fiquem em casa e que pratiquem exercícios físicos”.

O Prédio tinha começado bem a época, só ganhava. A equipa parecia estar bem carrilada para uma excelente época. A paralizazão terá chegado na pior altura.
“Exatamente. O Prédio iniciou a época muito confiante e estávamos na liderança do campeonato. Orgulhoso pelo facto de mais uma vez (pela 6ª época consecutiva), estar a liderar a lista dos melhores pontuadores do campeonato”.

E um momento que já tivesse marcado o Fidel nesta época interrompida, há algum?
“O momento marcante para mim nesta época foi quando marquei um cesto do meio campo nos instantes finais do 2° período contra um rival direto [Bairro, sua ex equipa]. Foi um cesto único da minha carreira que ficará gravado para sempre na minha memória”.

Certamente que estará a morrer de vontade para regressar aos jogos. Acredita ainda na retoma das competiçoes esta época?

“Gostaria, mas isso dependerá muito da evolução da pandemia em Cabo Verde, é uma decisão que só será tomada pelas autoridades sanitárias nacionais. Mas, acredito que ainda podemos terminar a época desportiva que foi suspensa. Sem dúvida que é cedo para projetar o calendário e as datas, mas estou muito otimista que, pelo menos até final do mês de julho, haverá condições para retomar os jogos, com algumas restrições, é claro. O nosso campeonato nos últimos anos tem começado sempre no final do mês de janeiro, inicio de fevereiro, o que dá uma margem temporal suficiente para concluir o campeonato regional e quiçá o campeonato nacional até ao mês de dezembro. Para nós, os jogadores, seria muito bom voltar a competir nesta época para não ficar muito tempo parado”.

É hora de pararmos a conversa demorada com o basquetebolista, mas o time out, solicitado pela covid-19, continua. Até quando?

Benvindo Neves


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