Crônica - Jogo d' Palavra

Crônica de Benvindo Neves

2ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol: entre as polémicas expulsões, a "autêntica palhaçada”, o embaraço do “xixi-pertód” e do relato "impê" no Estádio Municipal do Maio


22 Abr 2018 por Benvindo Neves

Depois de uma jornada inaugural a todos os níveis tranquila, diria até muito sossegadinha, a segunda jornada do Campeonato Nacional de Futebol veio trazer a polémica. Ahh, pois, não podia ficar fora de jogo, não é?

E não foi uma, não foram duas, nem sequer três, as situações que deram que falar. A que mais barulho causou foi, sem dúvida, a expulsão do ponta-de-lança do Mindelense, Papalelé. Momentos antes de um livre perigoso a beneficiar o Mindelense, uma molhada de jogadores buscam o melhor posicionamento na área da equipa boavistense. Nesse frenesim, o jovem avançado do Mindelense teria, alegadamente, tentado agredir um jogador do Sal Rei. As imagens, primeiramente da TCV, e depois de um vídeo posto a circular na Internet, não são totalmente esclarecedoras, porquanto não há qualquer plano fechado da situação. No entanto, fica evidente que, independentemente do que terá acontecido, o jogador do Sal Rei dá um enorme golpe de teatro ao se “lembrar” de cair muito tempo depois. Uma simulação que, pela sua forma grotesca, tem deixado a ferver de nervos os adeptos do Mindelense, quanto mais não seja que deixou o goleador encarnado fora do já clássico do Norte entre Académica do Porto Novo e Mindelense.

Mas, expulsão polémica não aconteceu apenas no Estádio Adérito Sena. Na ilha do Sal, no jogo entre a Palmeira e o Sporting da Praia, o árbitro Anilton Bartolomeu mandou para a rua o experiente lateral leonino, Cadú, por, supostamente, ter simulado uma falta, quando a sua equipa procurava desesperadamente o empate. Mais um caso muito criticado, assim como um suposto penalty que terá ficado por assinalar a favor dos actuais campeões nacionais em título. Estas situações fizeram aquecer o jogo das palavras. Habitualmente muito parco nas palavras, o treinador do Sporting, Gil Mendes, desta vez mostrou muita desenvoltura no final da partida, em declarações à imprensa. Sobre o jogo em si, nenhuma palavra, toda a frustração da derrota foi descarregada sobre a equipa de arbitragem que, segundo disse, fez uma autêntica “palhaçada”.

Para completar o leque de expulsões na segunda jornada, no estádio João Serra, na Ponta do Sol, o treinador do Scorpion, Pulumpa, também teve de abandonar o banco mais cedo mas, neste caso, não se ouviu reclamações.

Adiante! A segunda jornada marcou a estreia do Estádio Municipal do Maio na edição deste ano do campeonato nacional de Futebol. O campo não é novo nas lides da competição. Foi inaugurado em 2008. Por conseguinte, já leva 10 anos a receber jogos da maior prova nacional a nível de clubes. Mas, o campo não passa de um tapete verde e umas bancadas estranhamente erguidas do lado oposto àquele onde se põe o sol.

Não se compreende porque é que, volvidos todos estes anos, nunca se conseguiu construir um balneário, mais simples que fosse, de forma a que jogadores, treinadores, árbitros… pudessem ter um espaço condigno para estarem antes, ao intervalo, e depois de um jogo. É por isso que ainda temos que gramar com imagens como aquela que correu as redes sociais nos últimos dias: a fotografia de um árbitro a aliviar-se juntos aos muros do estádio durante o intervalo. Alguém fez a foto, musquinha m'já! Triste realidade!

Não menos triste é, também, a forma como os profissionais da Comunicação Social ainda são obrigados a trabalharem nesse estádio. No jogo Barreirense - Vulcânico, voltou-se a ver a forma arcaica como a equipa que fazia o relato para a Rádio Publica, trabalhava: de pé, ao mesmo nível do relvado, debaixo de um sol escaldante. As gentes da muito acolhedora ilha do Maio, da sua bela cidade Porto Inglês, rainha resignada como a descreveu o seu filho Betú, não podem resignar-se com esta situação que já dura 10 anos. Já não seria altura de o estádio municipal ser apetrechado com condições minimamente condignas para todos os seus utentes?

O próximo jogo do Barreirense em casa é já no fim-de-semana quem vem, frente à Palmeira. Vai se preparando, porque é muito provável que venha a ser confrontado com novas imagens de árbitros, jogadores ou treinadores a aliviarem-se junto aos muros do estádio durante o intervalo. E gente da comunicação social, "impê", junto a um dos bancos de suplentes, de microfone à mão a relatar o jogo. Coisas, ainda, do nosso Campeonato.

Ahh, é dvéra! Já me ia esquecendo: no Estádio Municipal do Porto Novo, durante o jogo entre as duas Académicas deste Campeonato Nacional, o árbitro do encontro às tantas teve de se dirigir à malta que estava nas bancadas a fazer a batucada, para se amainarem porque o barulho estridente dificultava a comunicação no relvado. Estranho isso, senhor arbitro! Bem, conforme antes tinha feito saber o relator dessa partida, as bancadas tinham muito pouca gente. Caso para se dizer: poucos mas bons, que sabem fazer "terpida". Outra coisa não seria de se esperar numa cidade onde a população tem o Son Jon a correr-lhe nas veias. Logo, es séb dá k pó ne tombôr, nê jet! < /i>


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