Crônica - Jogo d' Palavra

Crônica de Benvindo Neves

Primeira jornada do Campeonato Nacional de Futebol: entre o mar que não "mareou" Os Foguetões; Os três penaltis que só um viu e o barulho “Dos Outros” na Várzea.


14 Abr 2018 por Benvindo Neves

A maior competição de futebol a nível de clubes em Cabo Verde começou este ano muito mais cedo. O Mundial da Rússia a isso obrigou. Com antecedência, também, pois claro, deu-se início ao jogo fora das 4 linhas, ao jogo das palavras.

O Foguetões saiu do Paúl, atravessou o país de costa a costa, para jogar na Brava. E teve de fazer quase metade do percurso de barco. A equipa tratou-se de reclamar ainda antes de sair de Santo Antão. “Isso só acontece com as equipas pequenas! Assim não dá para jogar futebol”, atirava o treinador Palela. Mas, como o destino é pródigo em ironias, dos 12 conjuntos em prova, a equipa azul acabou por ser a única a vencer na primeira jornada. Dá que pensar, não é Palela? Afinal, o mar que sempre fez, e fará, parte do quotidiano deste povo ilhéu, ensinou-nos - e nos ensina a toda a hora - a sermos resilientes. Se é verdade que, como diz o adágio popular, não se deve dar foguetes antes da festa, também devia ser recomendável não reclamar do foguete, antes de se lhe ouvir o estrondo.

No grupo C, ninguém ganhou, ninguém perdeu, ninguém marcou, todos levaram um ponto. Mas, a jogarem em casa, o Vulcânico e o Sporting tinham obrigação de fazer mais. Atravancado com o resultado, o treinador dos tricampeões foguenses, sem querer criticar a arbitragem, mas já criticando, reclamou de três penáltis não assinalados por Ivaldir Silva. A imagem televisiva foi implacável e veio desmentir Danilo Dinis. Nem três, nem dois, nem um penalty. Todos os lances, do meu ponto de vista, foram bem julgados pelo jovem juiz de Santiago Sul. Fez-me lembrar aquela cena de um treinador no campeonato regional do Sal, recentemente. Perante uma jogada interrompida por fora de jogo, ele esperneou, sapateou, ficou de tal forma furibundo que acabou expulso. E quando a TCV mostrou o lance… fora de jogo “de quilómetros”, clarinho!

No jogo das palavras da primeira jornada, nota ainda para Gil Mendes, treinador do Sporting, estreante nestas lides do Campeonato Nacional. Depois do empate caseiro com o Barreirense no estádio da Várzea, o técnico foi alvo de algumas “bocas” menos simpáticas por parte de adeptos da sua equipa. E lá se foi Gil dando “trela”, respondendo na mesma moeda a um adepto mais impertinente.

Por falar no Estádio da Várzea, a primeira jornada reservou dois jogos nesse campo. Primeiro, Académica – Mindelense. No dia seguinte, Sporting – Barreirense. Em ambos os jogos, as bancadas estiveram coloridas de encarnado, as cores das duas equipas visitantes. Quer num, quer noutro jogo, até dava ideia de que as equipas da casa é que jogavam fora. Lembrem-se daquela vez, há já alguns anos, quando em plena conferência de imprensa depois de um jogo do Campeonato Nacional, Dário Furtado, então jogador do Sporting da Praia, visivelmente irritado, desabafou que a equipa se sentia mais cómoda a jogar fora de casa, porque na Várzea ninguém apoia? Pois bem, no jogo entre Académica da Praia e Mindelense, quando os cânticos e a cor das bandeiras encarnadas sobressaíram nas bancadas, Dário, agora ao serviço da Académica, não terá recordado dessas suas palavras proferidas há anos?

A segunda jornada do campeonato nacional de Futebol é este fim-de-semana, com 4 jogos no sábado e dois no domingo. Quando tudo ficar concluído, estaremos aqui a abordar mais um jogo… o da palavra!


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