JOG D’PALAVRA. 17, 19, 18... 54 em 18! Uau!

21 Maio de 2024

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Crónica de Benvindo Neves

Não precisa franzir a testa! O que acaba de ler não é nenhum quebra-cabeças. É, simplesmente, um resumo bem lacónico da primeira volta da fase de grupos do Campeonato Nacional de Futebol.

Há muito que não se via um arranque da maior prova  do futebol cabo-verdiano tão farto em golos. As três primeiras jornadas renderam nada menos que 54! E isto dá uma média redondinha de 3 golos por partida.

A primeira jornada deu  o sinal. Marcaram-se 17 golos. Como já tinha lembrado numa crónica anterior, desde 2016 que não se via tantos golos na ronda inaugural do Nacional. E se o arranque foi bom, a segunda e terceira jornadas conseguiram ser melhores ainda. A segunda rendeu 19 golos, a terceira 18.

Todas as 12 equipas já deram o seu contributo para os 54 golos marcados nos 18 jogos até agora realizados no Campeonato Nacional. O Rosariense foi a última a contribuir. Só à terceira jornada conseguiu descobrir o caminho que as restantes já tinham descoberto nas duas primeiras rondas.

Académica do Fogo e Académico do Sal são as mais generosas da 1ª volta. Juntas fizeram 16 golos, 8 cada. A seguir vem Boavista com 7 e três equipas com cinco golos: Palmeira, Derby e Juventude.

O caso dos campeões da Boa Vista é curioso. A equipa está na última posição do grupo A com 1 ponto, mas aparece entre as equipas que marcam em todos os jogos. E note-se que das 12, só 5 fizeram golos em todas as partidas da primeira volta: Juventude, Boavista, Palmeira, Académico do Sal e Varandinha.

A Juventude marca em todos os jogos, é certo, mas também sofre e muito. É de longe o conjunto com mais golos sofridos, 11. Ou seja, em média os azuis de João Galego sofrem quase 4 golos por jogo. Ultramarina (7 golos) e Varandinha (6) completam o lote das três piores defesas.

O Boavista da Praia é a única equipa a conseguir os pontos todos em disputa na primeira volta. Os campeões de Santiago Sul ganharam todos os seus três jogos, sendo dois deles fora de casa.

Académico do Sal teve o segundo melhor desempenho, amealhando 7 pontos em 9.
No extremo oposto está a equipa dos Sanjoanenses. Os campeões de Santo Antão Sul carregam o fardo de serem os únicos sem qualquer ponto. É um desempenho parecido com o período homólogo do ano passado. Na edição 2023, o clube da Ribeira das Patas tinha 1 ponto ao fim da primeira volta. Fez mais 4 na segunda volta, ficou pela primeira fase na ultima posição do seu grupo, ainda que em igualdade pontual com o Belo Horizonte.

Pelo rumo que as coisas estão a tomar no grupo C, muito dificilmente a equipa de Gunga Fonseca apurar-se-á para as meias-finais.

Sanjoanenses (três presenças) e Juventude (com duas) são as equipas mais inexperientes no Campeonato Nacional. E, talvez não seja coincidência, vão tendo o pior desempenho na prova.

Tão acostumado que estava, na última década, com tantas presenças nas meias-finais, primeiro com Sporting do Porto Novo em 2009, depois várias com a Académica, tendo inclusive alcançado duas finais em 2013 e 2016,  agora Gunga está a ter uma nova aprendizagem com os Sanjoanenses. Mas esse é tema para um outro Jogo d’Palavra.

Por fim, o grupo B, que é onde está o campeão nacional, é aquele onde se vê mais equilíbrio. A Palmeira começou com dois empates, fecha a primeira volta na liderança do grupo. com 5 pontos. Tem 1 ponto a mais que Morabeza e Barreirense e 3 de avanço sobre o último, Varandinha.

Apesar do 1º lugar, a Palmeira termina esta primeira metade da fase de grupos com um desempenho aquém daquilo que conseguiu no mesmo período do ano em que foi campeã nacional. É curioso que no ano passado, no fim de 1ª volta, os verdes e brancos do Sal tinham 6 pontos (mais 1 que este ano) e não eram líderes do seu grupo. Viriam a fazer mais seis na 2ª volta e terminar como lideres do seu grupo, com mais 1 ponto que Vulcânico. Os foguenses acabariam por avançar, também, para as meias-finais como melhor segundo classificado.

A segunda volta no grupo da Palmeira promete ser bem aquecida e cada ponto perdido e/ou ganho por cada equipa poderá vir a fazer muita diferença.
Vem aí a segunda volta. Para já, a 4ª jornada reserva os mesmos duelos que foram travados no último fim-de-semana. Quem vai fazer desforra? E quem vai conseguir 6 pontos às custas do mesmo adversário? E em que situações os adversários vão se anular um ao outro?

Bem, cada um que dê seu speed, contanto que continuem a marcar muitos golos. Se a segunda volta conseguir ultrapassar as barreira dos 54  das três primeiras jornadas, será uma grandíssima fase de grupos!

54 em 18 não é fácil de bater... e 17, 19, 18 é bonito!

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