JOG D’PALAVRA. A Palmeira que nunca cai. O Bujon e a Bruxa. O Maio que convida a Brava. A seca em Santo Antão e outros olhares

14 Maio de 2024

A+ A-

Crónica de Benvindo Neves

O campeão nacional ainda não conseguiu mostrar os dentes neste campeonato nacional. A Palmeira vai com dois empates. Se na primeira jornada, em casa, até marcou primeiro, desta vez esteve à beira da derrota no Tarrafal de Santiago. E só acordou quando a campainha estava prestes a tocar.
Lá está! A crença do “palmeirão” é já coisa para se levar muito a sério. E tem sido assim tantas vezes nos últimos anos! Basta recordar, por exemplo, a forma como a equipa de Toca Leite “retirou” o Mindelense da final do campeonato do ano passado para lá se colocar ela mesma. Basta recordar a forma como, na final da ilha do Maio, os salenses levaram a coisa para o prolongamento quando tudo lhes parecia adverso. E deram-se bem nas grandes penalidades.
Mais recentemente, basta recordar, ainda, a forma como arrebataram a Taça Dja d’Sal ao rival Académico. Estavam a perder e, nos instantes finais, fizeram a reviravolta com dois golos e ficaram com o troféu. Podíamos trazer mais exemplos. Na verdade, a crença e a vontade de competir até ao último segundo é já uma característica bem vincada da equipa de Toca Leite. E os frutos estão à vista de todos.

Varandinha e o jogo da inteligência
A atitude de nunca desistir que já é imagem de marca da Palmeira contrasta com a pouca esperteza (mas poderia dizer “ratice”) do Varandinha nos momentos em que deve promover o toca-a-reunir e serrar fileiras. A este respeito, apresento dois dados reveladores: no ano passado, por exemplo, os campeões de Santiago Norte já tinham recebido o então campeão nacional, Académica do Mindelo, e os tarrafalanses deram-se mal, muito por culpa própria.
Na altura, para a 4ª jornada da fase de grupos, Varandinha fez cedo 1-0. Ainda antes do intervalo dispôs de um penalty que poderia dar o 2-0. Kalanga desperdiçou a oportunidade. A Académica ganhou vida e, na segunda parte, fez dois golos e saiu do Tarrafal com os três pontos.
Desta vez, frente a mais um campeão nacional em título, passou-se quase que a mesma coisa.  A equipa vencia por 2-0 quando se entrou para os 10 minutos finais. O capitão voltou a claudicar-se, foi expulso por acumulação de amarelos. A segunda falta até fê-la ao meio campo, de cara virada para a sua baliza.  Varandinha ressentiu-se e Bujôn voltou a complicar. O jogador vai sendo o mais azarado deste campeonato. Um autogolo na primeira jornada e um penalty cometido. O Bujôn tem de ir à bruxa!

Maio convida Brava
Pelo segundo ano consecutivo o Morabeza foi ao Maio ganhar pontos ao campeão local. No ano passado já tinha empatado com figueirense. Desta vez, levou todos os três. Os azuis de Nova Sintra são os grandes vencedores da 2ª jornada no grupo B. Têm, pois, todos os motivos para andarem sorridentes. Todos, menos 1! Ronaldo, defesa da equipa bravense, deixou o relvado do Dau d’Segunda molhado de lágrimas. Fez uma entrada intempestiva, viu vermelho direto (o primeiro jogador a ser expulso dessa forma) e quando caiu em si, não queria acreditar. 
No grupo A, depois da móia de golos, veio a seca para os lados da Académica do Fogo. A equipa que mais tinha marcado na primeira jornada, desta vez não acertou nenhuma. Ainda assim, os são filipenses mantêm o melhor ataque do campeonato. Em sentido contrário, está o Rosariense. Os alvinegros de Santo Antão Norte são a única equipa que ao fim dos  12 jogos deste Nacional ainda não marcou um golo.
Na Boa Vista houve festival de golos. E com mais um logo no primeiro minuto a fazer concorrência ao autogolo de Calú, do Derby, na jornada inaugural.
Juventude já vai com 9 golos sofridos, a pior defesa até agora. Os adeptos do Norte da ilha das dunas, que viram uma primeira parte prometedora, não queriam acreditar que a vantagem ao intervalo esvaiu-se na ponta final da partida.

Seca assola Santo Antão
No grupo C, em São Vicente, o Derby serrou os punhos e mostrou que o arranque em falso  tinha sido um  mero acidente de percurso. Goleada à Ultramarina e os  dois primeiros golos neste campeonato para o melhor marcador do Soncent Superliga, Rodrigo. A luta pelo apuramento neste grupo vai ser decerto bem animada.
É, aliás, no grupo C que moram o melhor e o pior deste campeonato por agora. O Boavista é a única equipa com o máximo de pontos nas duas jornadas, seis em seis. Os Sanjoanenses, os únicos que se mantêm sem pontuar. Será que o raposa velha dos Nacional -  Gunga Fonseca - já não é o que era na competição?  As próximas jornadas vão dizer. 
Ah, já agora, Santo Antão é das ilhas mais verdejantes do arquipélago mas, neste campeonato, é lá que grassa uma seca severa. A única equipa que ao fim de duas jornadas não tem pontos é Sanjoanenses, de Santo Antão Sul. A única equipa que ainda não marcou é Rosariense, de Santo Antão Norte. Fim da quarentena, já!

...e o fair play
A visita do Boavista da Praia a Porto Novo teve um momento especial. Um encontro entre dois Yannik, um já em fim de carreira (35 anos), outro a começar, e com menos de metade dos anos do primeiro (17). O encontro foi bonito e o jovem Pirolito já ganhou seu minicampeonato dentro do Campeonato.

Versão vídeo desta crónica aqui:  https://www.rtc.cv/tcv/video-details/jogo-d-acute-palavra-uma-palmeira-que-nunca-cai-um-varandinha-azarado-e-outros-olhares-42547
 

Pode Interessar

Programação

Mais Acedidos

Últimos Vídeos

Últimos Áudios