JOG D’PALAVRA. Peso da esquina vermelha ou atrevimento da esquina azul?

21 Abril de 2026

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Crónica de Benvindo Neves

O quadro da Final Four da Taça Cabo Verde ficou fechado esta terça-feira. Os Sanjoanenses conseguiram o último bilhete.

Está fechado o quadro da Final Four da Taça de Cabo Verde, edição 2026. Os Sanjoanenses foram a última equipa a garantir o apuramento. A turma da Cruz de Cristo “comprou o bilhete” na tarde desta terça-feira, ao derrotar o Onze Unidos do Maio por 2-1, repetindo o mesmo guião do filme de há três dias quando, na 1ª eliminatória, evitou as grandes penalidades com um segundo golo no derradeiro lance da partida.

É a primeira vez que os Sanjoanenses estão nas meias-finais da segunda prova mais importante do calendário do futebol nacional sénior masculino. Há dois anos, sonharam com esta fase mas morreram, precocemente, ainda na primeira eliminatória quando foram batidos em sua casa, nos pênaltis, pelo Mindelense.

Os azuis da Ribeira das Patas conseguem o que nunca tinham feito em seus mais de 40 anos de história. Transpuseram um primeiro obstáculo – o Solpontense - com uma curta viagem à região Norte de Santo Antão. E agora, em sua casa, eliminaram o Onze Unidos no caminho para a Final a Quatro.

Entre o jogo de sábado passado na Ponta do Sol e o desta terça-feira diante do Onze Unidos, passaram apenas três dias. A equipa de Gunga Fonseca partiu para a ação, desta vez perante seu público, para defrontar um experiente das lides do futebol cabo-verdiano, campeão nacional em 2001 e que tem, também, uma Taça de Cabo Verde, conquistada em 2012 às custas de uma outra formação de Santo Antão Sul, a Académica do Porto Novo.

Os Sanjoanenses avançam para a “ronda de elite” onde já estavam, desde sábado, as equipas do Mindelense (São Vicente), Sal Rei (Boa Vista) e Grémio Desportivo de Nhagar (Santiago Norte).

Esta cimeira a quatro bem que poderia ser designada “fase vermelha e azul”, ou seja, com duas equipas encarnadas e outras duas da cor do nosso vasto mar. As de vermelho - Mindelense e Sal Rei - estão a repetir a presença na Final Four. No ano passado, são-vicentinos e boa-vistenses enfrentaram-se nesta fase, com as “águias” da ilha das dunas a eliminar os “leões da Rua da Praia” nas grandes penalidades.

Já as turmas de azul são os novatos desta Final Four. Quer os Sanjoanenses quer o Grémio de Nhagar disputam as meias-finais pela primeira vez. No caso do conjunto de Assomada, é mesmo uma presença inédita na Taça de Cabo Verde.

Com efeito, temos a viajar para o Sal dois experientes encarnados, pode dizer-se já com “cabelos grisalhos” nas lides do futebol nacional, e dois azuis “imberbes” ainda à procura de afirmação no panorama nacional e, neste caso, na Taça de Cabo Verde.

Por todo o seu historial, o Mindelense é o grande favorito a conquistar esta edição. Primeiro, porque é o clube com melhor palmarés em Cabo Verde, logo com um capital assinalável de experiência.

Segundo, pela temporada sensacional que fez esta época em São Vicente. Ganhou o campeonato após um autêntico passeio, em que deixou o segundo classificado a 11 pontos de distância. Na taça regional também ultrapassou todos os adversário sem grandes dificuldades.
E se quiser uma terceira razão o Mindelense é, de entre as quatro equipas na Final Four da presente edição, a única que tem nas suas prateleiras a Taça de Cabo Verde. E já a conquistou por duas vezes, um privilégio que só o Boavista da Praia se pode, também, gabar.

No próximo dia 29 de abril vamos ter a decisão de quem avança para a final de 02 de maio. Tudo vai desenrolar no Estádio Marcelo Leitão, na ilha do Sal, sem presença de uma equipa da casa. A ainda detentora o troféu - a Palmeira - não conseguiu, este ano, estar na competição. Foi derrotada na final da Taça Dja d’Sal pelo Académico que, por sua vez, viria a cair logo na primeira eliminatória da prova nacional, aos pés dos vizinhos da Boa Vista, Sal Rei.

Na próxima semana, se Mindelense ganhar Sanjoanenses e Sal Rei derrotar Grémio de Nhagar, teremos na final um ajuste de contas entre dois encarnados que se defrontaram nas meias-finais do ano passado. E mais, teríamos o Sal Rei a avançar pela segunda vez consecutiva para a final e o Mindelense com presença em duas das três últimas finais.

E se forem as equipas de azul a se imporem sobre os encarnados? Neste caso, teríamos uma final curiosa entre dois “imberbes” que pela primeira vez estariam na final de uma competição nacional.

Estes e outros cenários serão sempre muito interessantes de serem analisados. Uma coisa é certa: independentemente do desfecho da Final Four, vamos assistir a mais uma final inédita da Taça de Cabo Verde. Tem sido sempre assim desde a primeira edição, em 1982.

Mas a final é só no dia 2 de maio. Antes, a 29 de abril, há Final Four para acompanhar. Tomando de empréstimo a gíria do boxe, vêm aí duas pelejas no ring do Marcelo Leitão entre esquina azul e esquina vermelha. Quem vai ganhar os combates? Haverá pelos lados de Espargos algum knockout como, por exemplo, aquele que o Sal Rei aplicou na semana passada à Juventus de Curral Grande no estádio Arsénio Ramos? Estou curioso.

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