Oblak feliz no Benfica de Bissau: "ganhei confiança do treinador e agora sou titular"

16 de junho de 2021

Oblak em ação num jogo em Bissau
A+ A-

De Cabo Verde para a Guiné Bissau. Nos tempos atuais esta é uma rota cada vez mais rara feita por futebolistas cabo-verdianos.

É certo que muitos guineenses têm integrado planteis de várias equipas de futebol um pouco por todas as ilhas, sobretudo em Santiago Sul, Sal e Boa Vista. Mas, Oblak fez o caminho inverso. Já lá iremos.

De nome Orlando Monteiro, o jovem guarda-redes, campeão nacional pela Académica da Praia em 2018, adotou Oblak como designação de “guerra”, emprestado ao esloveno Jan Oblak.  Na altura, ainda adolescente, deliciava a ver as atuações do então guarda-redes do Sport Lisbo e Benfica. Tomou o nome emprestado, e nunca mais o largou.  

Em inícios de 2021, com o futebol completamente paralisado em Santiago Sul, o “nosso” Oblak decidiu meter-se numa aventura improvável. Ao abrigo de um acordo com Os Travadores, equipa na qual vinha atuando antes da interrupção das competições, Oblak viajou para a capital guineense para integrar o plantel do Benfica de Bissau.

“Inicialmente foi difícil, tive algumas dificuldades em adaptar-me. O clima, muito mais quente que em Cabo Verde, a alimentação… enfim, estava a ser difícil. Até fiquei doente, mas agora já me sinto completamente integrado”, disse à Rádio de Cabo Verde.

Passado o tempo de dificuldades, e já adaptado à nova realidade, o guarda-redes diz que depressa ganhou a confiança do treinador, e não só.

“Está a ser muito bom. Depois que comecei a jogar, surpreendi o treinador e também o presidente. Contribuí para colocar o Benfica na final do campeonato nacional, que vai ser disputada dentro de duas semanas.”

Se dentro dos relvados Oblack surpreendeu, fora do campo é ele quem se surpreende com os guineenses:

“Eu sou muito bem tratado, os guineenses adoram os cabo-verdianos, querem estar sempre comigo a querer saber mais sobre o meu país. Tratam-me com muito carinho”

Voltando aos relvados, quisemos saber quais as impressões que Oblak tem do futebol da Guiné-Bissau. "É um futebol diferente, penso que em Cabo Verde já estamos mais avançados. Aqui joga-se muito pelo ar, muita bola bombeada. Quando joguei pela primeira vez, o treinador veio dizer-me que ficou espantado com o meu estilo, já que gosto de jogar com os pés, de sair com a bola controlada. Ele disse que eu levei qualidade à equipa." 

Sobre a pandemia, o jovem guarda-redes cabo-verdiano nota que, ultimamente, quase ninguém fala de covid-19. E adiante que os jogos já podem ter adeptos nas bancadas, desde que estejam com máscara.

Oblak tem contrato de uma temporada com o Benfica de Bissau. Sobre o futuro, ainda não sabe dizer se fica, se regressa a Cabo Verde ou se busca novas experiência. “Talvez até venha a sair para a Europa, ainda não sei”, concluiu.

Benvindo Neves / RCV



Artigos Relacionados