Treinador critica processo de escolha de Sandrine Billet. Federação decide que ninguém do judo deveria ir ao Jogos Olímpicos

06 de julho de 2021

Sandrine Billet
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Cabo Verde já fechou o grupo de atletas que vão aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ao todo são seis, a maior delegação de sempre. A última atleta a ter presença confirmada é a judoca Sandrine Billiet, foi anunciada na sexta-feira. A jovem belga, naturalizada cabo-verdiana, qualificou-se por cota continental. Em maio, conquistou a medalha de prata no Campeonato Africano de Sénior, realizado em Dakar.

Mas a qualificação de Sandrine Billiet gera polémica. O treinador de judo, Jorge Gonçalves, critica o processo que, segundo diz, prejudicou diretamente os judocas formados em Cabo Verde, como é o caso, por exemplo, da Djamila Silva.

Jorge Gonçalves diz ter dificuldades em perceber as razões por detrás da naturalização de Sandrine Billiet. O treinador alega que foi uma decisão tomada por apenas duas pessoas na Federação de Judo.

O treinador diz-se indignado com a Federação. No seu entender, foi passado um atestado de incapacidade ao judo cabo-verdiano.

Jorge Gonçalves garante ter demonstrado sua insatisfação e solidariedade para com Djamila Silva em nota endereçada à diferentes entidades. Ao presidente da Federação Cabo-verdiana de Judo, pede que reconheça o erro cometido. Jorge Gonçalves concluiu dizendo que os judocas prejudicados sentem-se completamente desiludidos. 


Federação de Judo admite ter havido “mal entendido”

A RCV também ouviu o Presidente da Federação Cabo-verdiana de Judo. João Paulo Spencer reconhece ter havido falhas na comunicação ao longo do processo e que veio culminar com a qualificação de Sandrine Billiet para os Jogos Olímpicos por cota continental.

Antes, porém, o responsável máximo do judo cabo-verdiano esclarece a questão da atribuição de nacionalidade à Sandrine Billiet e diz que tudo foi feito ainda antes da criação da Federação Cabo-verdiana de Judo.

Sobre a qualificação de Sandrine Billiet para os Jogos Olímpicos, João Paulo Spencer admite que houve falta de informação. Ou seja, a Federação nunca imaginou que a atleta pudesse qualificar-se por cota continental.

E depois de ficar a saber que, afinal, o processo era diferente, a Federação agiu e decidiu que ninguém do judo deveria ir aos Jogos Olímpicos, avança João Paulo Spencer.

Esta marcha-atrás não significa então o reconhecimento de uma falha por parte da Federação de Judo? “Reconhecemos que a informação não passou bem. Não tínhamos a informação da qualificação da atleta pela cota continental e não acautelarmos”.

Quanto aos judocas que, segundo o treinador Jorge Gonçalves, estão desiludidos, o presidente da Federação Cabo-verdiana de Judo garante que já falou com eles e que terão compreendido.

Jorge Carlos Fonseca recebeu delegação que vai a Tóquio

Na última sexta-feira, a delegação cabo-verdiana que vai participar nos jogos olímpicos e paralímpicos foi recebida pelo Presidente da Republica.

Jorge Carlos Fonseca ofereceu uma bandeira nacional e pediu os atletas para darem o máximo e representar o país da melhor forma na maior competição desportiva mundial.

Oiça, em baixo, a notícia com as declarações do treinador Jorge Gonçalves e João Paulo Spencer, Presidente da Federação Cabo-verdiana de Judo



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