Santiago Ultra Trail: conheça os “vassouras” tão úteis aos atletas e à Natureza

26 de outubro de 2021

Fredy Cardoso e Luís Brazão "kessy"
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O Santiago Ultra Trail terminou, deu-se destaque aos atletas, sobretudo aqueles e aquelas que subiram ao pódio nas três provas: trail curto, trail longo e ultra trail. Eles são a parte mais notória e mediática do evento.

Agora, lançamos um olhar a um lado digamos mais invisível. Falemos dos chamados “vassouras”. Quem são e o que fazem esses “vassouras” nas provas de trail? É o que quisemos saber e, para isso, interpelámos dois deles. Já passavam das 15h00 quando chegaram à meta, no vale de São Jorge dos Órgãos. Tinham saído do Pelourinho da Cidade Velha, às 07h00.

Vinham a trote e com uma felicidade no rosto, embora intercalada com algum esgar de sofrimento. Metemos conversa com eles enquanto faziam seus exercícios de alongamento.

“Somos seis guias de turismo de Natureza. Fomos contratados para fazer a validação dos circuitos que a organização propôs para o Santiago Ultra Trail. Tivemos de analisar esses trilhos para validá-los ou reprová-los e, para isso, fizemos várias saídas ao longo do mês de setembro e em inícios de outubro para ver como estavam, que intervenções precisaria e a partir daí comunicar à organização.”

Depois desta primeira fase, os seis guias voltaram à ação, agora para fazer a necessária sinalização dos trilhos.

“Tivemos de fazer toda a sinalização: sinais com cal, fitas e outros sinais visíveis para que os atletas possam ter a devida orientação.”

Finalmente, a intervenção mais exigente dos “vassouras”, no dia das provas.

“Nós seis dividimo-nos e ficamos dois por cada prova. Vamos atrás, depois do último atleta, e vamos acompanhando, observando se há necessidade de assistência ou não. Se houver casos de necessidade de assistência, acionámos os bombeiros e a organização que, por sua vez, deslocam-se ao ponto mais próximo para fazer a devida abordagem.”

Fredy Cardoso, juntamente com o colega Luís Brazão “Kessy”, foi vassoura na ultral trail, prova rainha de 50 quilómetros. Os dois levaram 8 horas a percorrer os 50 km de trilhos. Chegaram naturalmente cansados e isso era bem visível na sua face. Nas mãos, traziam dezenas de fitas de sinalização que foram recolhendo assim que passavam os último atletas.

“Como vassouras temos também essa função de fazer a remoção dos sinais que colocámos antes. Desta forma, deixamos a Natureza intacta, sem poluição e sem vestígios de ter acontecido qualquer evento. São trilhos que nos levam para lugares fascinantes, e têm de ficar sem poluição ambiental, sem plásticos.”

No fim, Fredy estava exausto, mas feliz.

“É cansado. Este tipo de trabalho exige muito de nós, é muito esforço físico e o terreno é bastante duro. Acima de tudo, há que ter preparo físico, muita força de vontade e conhecimento técnico. Mas, também, há que ter entusiasmo para este tipo de desporto de montanha, até para ajudarmos a ilha e a comunidade onde estamos inseridos. Entro nisto de corpo e alma, estou super contente por ter participado neste evento, embora cansado a minha alegria e euforia acabam por fazer com que o cansaço passe despercebido.”

Ao lado de Fredy, o colega Kessy abanava a cabeça afirmativamente em sinal de acordo com seu companheiro, deixando transparecer também a sua consciência de dever cumprido.

“É muito esforço da nossa equipa, mas não só. Vimos que houve muito desgaste por parte de atletas, também. Mas foi interessante, espero que este projeto continue.”

Kessy é um jovem de estatura baixa e relativamente franzino. Quisemos saber aonde vai buscar toda a energia para um trabalho tão exigente.

“Essa energia vem da nossa mente, da nossa força de vontade. Mas, também, já fiz parte dos Fuzileiros das Forças Armadas”, concluiu.

 

Benvindo Neves



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