Mané Trovoada alerta para dificuldades que seleção nacional continua a enfrentar. "Merecíamos um respeito maior"

18 de novembro de 2021

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O regresso da seleção nacional de basquetebol à competição acontece menos de três meses após o país ter brilhado no Afrobasket no Ruanda.

Ora, apesar do 4º lugar conseguido nessa competição e da euforia que gerou no seio dos cabo-verdianos, a equipa nacional continua a enfrentar muitas dificuldades para fazer sua preparação.

Esta ida a Angola, diz Mané Trovoada, implica grandes sacrifícios.

“É lógico que estamos a ir para Angola com grandes dificuldades. Seria mentira, da minha parte como técnico, dizer o contrário. Mas, quem poderá responder a esta pergunta é o presidente [da Federação Cabo-verdiana de Basquetebol], para dar os números exatos das dificuldades. Sei que havia essa dificuldade da logística em Angola. Estamos a contar com apoio enorme das pessoas da comunidade [cabo-verdiana] e amigos particulares que estão, de facto, a tentar ajudar-nos. Isso nós temos de dizê-lo.”

Mané Trovoada diz que, enquanto treinador, gostaria de se preocupar apenas com questões técnicas, para não perder o foco. A seleção já se habituou a sacrifícios mas, o selecionador nacional admite que começa a sentir-se saturado.

“Esta seleção já se habituou a esse trajeto de dificuldades e a superar-se nessas dificuldades. Mas, também penso que o pouco de bom que fizemos na campanha do Afrobasket, merecíamos um respeito maior. Estou a falar, eu, Emanuel Trovoada. Há assuntos que têm de ser resolvidos. Passaram-se dois meses após o Afrobasket, as situações continuam praticamente iguais e começa a haver uma certa saturação, posso dizer minha, estou a falar em nome de Emanuel Trovoada. Essa saturação... um dia terminamos por aqui, pode ser fatal, para mim.”

Quisemos saber que assuntos em concreto.

“São assuntos direcionados a quem são os responsáveis, e sabem que são os responsáveis. Nada têm a ver com a Federação. São assuntos que deveriam estar resolvidos para não irmos a esta competição com mais uma preocupação. E estou a ir com essa preocupação. Falou-se antes, quem de direito depois vai se manifestar e tocar neste assunto”

Mas, os assuntos pendentes - garante o treinador - não irão esmorecer a determinação de Cabo Verde, que tem legitimidade para sonhar com a presença no Mundial de Basquetebol.

“Vamos a esta competição com ganas, com força de representar condignamente Cabo Verde. Vamos à procura da melhor classificação nesta primeira janela para que possamos, também na segunda janela, estar em condições de fechar aqueles três primeiros lugares, que é importante. E é fundamente que eu, e principalmente os jogadores, tenham condições para estarem apenas focados na competição, que é uma competição de topo, é um Mundial. Lembro-me de palavras do Senhor Primeiro Ministro, aquando do último encontro que tivemos [n.r. 19 setembro 2021, quando o PM recebeu a seleção que tinha regressado do Afrobasket], ele ter dito que uma seleção deve estar apenas focada no seu trabalho. E é isso que eu reforço, queríamos apenas estar focados no nosso trabalho.”

A seleção viaja na tarde desta quinta-feira para Angola. De Cabo Verde partem três jogadores: Fidel Mendonça, Joel e Ivan Almeida. Os outros juntar-se-ão em Luanda.

Cabo Verde enfrenta, na cidade de Benguela, a Nigéria no dia 26 des mês. No dia 27, mede forças com Uganda e fecha esta janela defrontando Mali a 28 de novembro.

Os jogos da segunda mão estão agendados para junho de 2022.

 

Benvindo Neves



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