02 Janeiro de 2026
Etiquetas em: Política
RCV Memória - 1984 Resistir à crise, consolidar o Estado
Apresentado por Carlos Santos
O ano de 1984 começa sob o peso da seca prolongada, que continua a condicionar a vida das populações e as opções políticas do país. No segundo semestre, chuvas intensas trazem algum alívio ao mundo rural, mas provocam também destruição, vítimas mortais e elevados prejuízos, expondo de forma dramática a fragilidade do arquipélago face aos fenómenos climáticos extremos.
Na área da saúde, o ano fica marcado pela inauguração do Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente. A nova unidade representa um salto qualitativo no acesso aos cuidados de saúde no Barlavento e simboliza o esforço do Estado em descentralizar serviços essenciais e reforçar a coesão territorial.
1984 é igualmente um ano decisivo para a comunicação social. Após emissões experimentais consideradas bem-sucedidas, a Televisão Experimental de Cabo Verde prepara-se para iniciar as emissões regulares, abrindo caminho à consolidação da televisão como novo meio público de informação, educação e mobilização nacional.
Na economia e nas infraestruturas, destaca-se a assinatura do contrato para a ampliação do Porto da Praia, uma das maiores obras públicas da década. O projeto visa aumentar a capacidade portuária, melhorar a segurança e preparar o país para um crescimento gradual das trocas comerciais.
Culturalmente, 1984 assiste ao nascimento do Festival da Baía das Gatas, que se afirma como novo grande palco da música cabo-verdiana, e ao desaparecimento do escritor António Aurélio Gonçalves, figura maior da cultura nacional, cuja morte gera luto e homenagens em todo o país.
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