Lutou contra as drogas até subir ao pódio… uma, duas, três vezes!

15 Julho de 2026

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É uma história de superação e que mostra que nunca é tarde para se recomeçar.

Bruce Santos, 31 anos, chamou atenção no mais recente Campeonato Nacional de Atletismo, competição que decorreu no Estádio Nacional entre os dias 11 e 12 de julho. O atleta deu nas vistas pela sua garra.

Há menos de dois anos ele estava mergulhado nas drogas. Quis mudar de vida e o atletismo foi a via para a fuga ao abismo. No ano passado conseguiu vencer provas regionais na sua ilha e disputar pela primeira vez o Campeonato Nacional. Um palco que só chegaria já depois dos 30 anos, mas, como diz o ditado, “mais vale tarde que nunca”.

“Demorei muito a vir porque estava a viver num outro mundo, eu usava álcool e droga. Eu estava perdido. Foi difícil, mas graças a Deus consegui parar e entrei no atletismo”, explicou-nos.

Quando, no ano passado, Bruce participou pela primeira vez nas provas nacionais já ficou com uma sensação muito boa ao ficar perto do pódio, com dois honrosos 4º lugares nas provas de 1.500 e 5.000 metros.

O atleta já podia considerar-se um vencedor. Mesmo assim, quis mais e foi se aprimorando nos treinos, voltou a destacar-se nas competições regionais e, para a edição 2026 do Campeonato Nacional, lá apareceu ele no Estádio Nacional cheio de ambição. “Eu levo os treinos sempre muito a sério, não brinco nos treinos e, por isso, vou melhorando a cada dia”, disse-nos ao mesmo tempo que esboçava um sorriso.

De facto, Bruce mostrou que andou a treinar com muito empenho e seriedade. Este ano, veio para triunfar, tendo conquistado três medalhas de prata: uma nos 1500, outra nos 5.000 e uma terceira na prova dos 800 metros. “Eu nem sabia que podia correr nos 800 metros. São Vicente estava a precisar de pontos e então decidi experimentar. Acabou por ficar no segundo lugar”, expressou orgulhoso.

Sobre as provas de fundo, em que teve de travar uma luta dura com atletas de Santo Antão, Bruce admite que foi bastante difícil. “Eles são muito bons, o Ivan [Fortes] é fortíssimo na chegada, mas dei o meu máximo. Não consegui o primeiro lugar, mas ganhei respeito”.

Há menos de dois anos, Bruce tinha uns pulmões “carcomidos” pelo álcool e outras drogas. Como explicar que, em tão pouco tempo, tenha conseguido que esses órgãos ficassem tão robustos?

“Para ser sincero não sei explicar, só possível com ajuda de Deus. Esforcei-me, não foi fácil, foi um di de cada vez. Tens de aceitar que precisas de ajuda para depois conseguires ajudar a ti mesmo.”

A filha como inspiração

Bruce Santos entendeu que tinha de encontrar um outro rumo para a sua vida, já que reparava que a filha o usava como modelo para tudo. “Ela me disse que queria ser como eu. Então parei para refletir e decidi mudar de vida e ser seu espelho em tudo que seja positivo. É minha filha porque cuido dela desde os seus 2 anos e hoje tem 12. E até já pratica atletismo”

Bruce leva para São Vicente três medalhas de prata e já sabe que destino dar a, pelo menos, uma delas. “Vou entrega-la à minha filha para que ela possa se inspirar. Ainda não lhe permitem correr na pista por causa da pouca idade, mas em breve estará a correr, com certeza!”

 

Benvindo Neves

 

 

 

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